Carlos Clery

Entrevista

Arquiteto Carlos Clery

 

Vocação é o que o arquiteto Carlos Clery tem de sobra. Mesmo lutando contra o destino de ser arquiteto, como ele mesmo conta, a profissão correu atrás dele e o alcançou há 35 anos, quando formou-se com a primeira turma de Arquitetura da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). “Trabalhei muito tempo com decoração, com Buffet, como feirante, vendia franga de porta em porta nas casas de Mogi das Cruzes. Fui funcionário de empresas, fiquei sentado atrás de uma mesa por um bom tempo. Sempre tive o sonho de ser médico cirurgião plástico, mas mogianos de influência, como o pai do Isidoro Dori Boucault, acreditavam em mim e queriam me presentear com uma bolsa para a faculdade de Arquitetura”.

Confira agora, com exclusividade para o CDA em Revista, como Clery decidiu pela Arquitetura, um pouco de sua trajetória e sua visão do profissional e do mercado.

CDA – Por que Arquitetura?

Carlos Clery – Relutei muito, mas o dom estava em mim, pois já trabalhava com decoração, esboçava o ambiente em um desenho e dava início ao projeto. Na época o profissional arquiteto sofria preconceito por causa da sensibilidade que deve ter ao desenvolver um trabalho. Mas fui ousado, pois enquanto você não é você não existe realização. Quando me formei senti que estava fazendo certo.

CDA – Qual sua maior inspiração?

CC – Minha inspiração vem do nada, sento com a mulher dona da casa, com o homem e depois com os dois juntos. Conciliamos as idéias e o projeto nasce dali, seguindo a vontade do cliente, sempre.

CDA – Como você lida com o avanço da tecnologia na área?

CC – Não lido (risos). Terceirizei os serviços de escritório, atendimento. Eu não mexo no computador, sempre desenho na prancheta, prefiro assim. Tenho projetos muito antigos guardados e não tenho intenção de jogar fora. Não me dou bem com a tecnologia e estou bem assim.

CDA – O que mais te marcou na carreira?

CC – Com relação a projetos todos marcaram, cada um tem uma história. Quando reformei a casa do padre Melo (chanceler da Universidade de Mogi das Cruzes) e ganhei muitos elogios da esposa dele, que tinha um gosto muito difícil de agradar, me marcou bastante. Um outro acontecimento na carreira que permaneceu vivo na memória foram os elogios do professor Carlos Pompeu, ele dizia: “Você é o único arquiteto da turma, tem o dom, o jeito. É como Niemeyer”. Pedia sempre para ele não dizer aquilo, mas o elogio era constante.

CDA – Qual a sua filosofia profissional?

CC – O Arquiteto tem que enxergar o projeto por completo, com início, meio e fim. O conjunto é que dá o glamour à obra. Eu tenho gosto pelo conjunto (interior e exterior), nunca penso separado. Acompanhar o processo é a chave do bom desenvolvimento de uma atividade.

CDA – O que você acha do ensino para o arquiteto?

CC – Acho que antes de ver o ensino, que na minha opinião dança conforme a música, tem que ver o dom do profissional. O arquiteto tem que ter dom, tem que desenhar para o cliente, tem que saber o que vai fazer e o que está fazendo. Pois quando o arquiteto perceber que vai estudar para oferecer o bem estar ao outro e não a si mesmo, aí teremos um bom profissional.

CDA – Como você vê o mercado de trabalho hoje em dia?

CC – Tanto hoje como antigamente nunca me faltou trabalho. O mercado não está ruim, o profissional deve correr atrás, porque quando o mercado te conhece fica mais fácil.

CDA – Você encontra problemas na execução dos seus projetos?

CC – Não. Sempre tive a sorte de trabalhar com bons profissionais e meus projetos sempre foram bem feitos.

CDA – Qual o seu conselho aos futuros arquitetos?

CC – Que sejam felizes, assim como eu fui. Os estagiários que passaram em minha empresa são gratos por tudo que ensinei, e meu conselho sempre foi a felicidade.

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