Luz na arquitetura

Luz na arquitetura

 

Arquiteto Bradford Smith

 

Luz na arquitetura

Luz na arquitetura

Percebemos a luz de duas formas: diretamente projetada da fonte para os olhos ou refletida em uma superfície, para a arquitetura a luz é importante desde do inicio da civilização onde temos exemplos clássicos na arquitetura grega definido pelo ritmo de suas colunas, no Panteão, templo romano encimado por uma cúpula, a iluminação provém de uma abertura circular no alto da construção, reflete nas paredes laterais e ganha uma qualidade difusa.

Na igreja gótica, as paredes não são estruturais e o vão é convertido em elemento translúcido e colorido, tornando-se agente transformador da luz. A iluminação colorida desaparece na Renascença, que valoriza a luz branca, indireta. No Barroco, a luminosidade se torna o ponto central do projeto e tudo é idealizado em função da luz.

O americano Frank Lloyd Wright, que começou sua carreira no século XIX, achava que a luz devia ser domada, controlada. Ele jamais deixava a luz natural entrar diretamente no ambiente, projetando grandes beirais, valendo-se da seguinte analogia: “O que é melhor? Ficar no deserto sob o sol escaldante ou sob a agradável sombra de uma árvore”? Ele propunha que, na arquitetura, a luz fosse a recriação desta luz existente em baixo de uma árvore, criando, para isso, elementos que suavizassem e filtrassem esta luz nos espaços internos. Wright escreveu muito sobre a luz natural e projetou, em geral, ambientes mais intimistas.

A arquitetura evolui e hoje em geral, as aberturas para iluminação natural, nas fachadas dos edifícios, são determinadas pelos arquitetos com base em aspectos formais.

Critérios como o percurso da luz, a proteção solar, a percepção visual, a relação com o exterior e os gastos de energia acabam desprezados, por falta de informações ou simplesmente em nome de uma estética visual, que não contribui em nada para o conforto ambiental. Os arquitetos precisam mudar sua atuação.

Dieter Bartenbach do Bartenbach LichtLabor na Austria, especialista em lighting design, acredita que as crescentes exigências de conforto visual  em grande parte em decorrência dos postos de trabalho com terminais de computador  e de economia de energia levem a uma conscientização da importância desses parâmetros e ao aproveitamento cada vez maior da iluminação natural em edifícios comerciais.

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Art Noveau

Art Nouveau

O movimento Art Nouveau na Europa difundiram-se diferentes traduções: Modernismo, na Espanha; Jugendstil, na Alemanha; Secessão, na Áustria; e Modern Style, na Inglaterra e Escócia.
Com características próprias em cada um desses países, foram as primeiras exposições internacionais organizadas nas capitais européias que contribuíram para forjar uma certa homogeneidade estilística. A arquitetura foi a disciplina integral à qual se subordinaram as outras artes gráficas e figurativas. Reafirmou-se o aspecto decorativo dos objetos de uso cotidiano, mediante uma linguagem artística repleta de curvas e arabescos, de acentuada influência oriental.

Contrariamente à sua intenção inicial, o modernismo conseguiu a adesão da alta burguesia, que apoiava entusiasticamente essa nova estética de materiais exóticos e formas delicadas. O objetivo dos novos desenhos reduziu-se meramente ao decorativo, e seus temas, como que surgidos de antigas lendas, não tinham nada em comum com as propostas vanguardistas do início do século. O modernismo não teria sido possível sem a subvenção de seus ricos mecenas.
Entre os precursores da arte modernista estava William Morris. Seus desenhos, elaborados com espírito artesanal, se contrapunham à produção industrial. Nos escritórios da empresa criada por ele, a Morris & Co. eram determinadas as formas elegantes e sinuosas, típicas do modernismo, bem como definidos os materiais nobres usados na criação de objetos de uso cotidiano. Sua apresentação na exposição de Bruxelas de 1892 produziu um grande impacto e determinou a difusão desse novo estilo.

Um outro olhar sobre o Art Noveau

Art Nouveau

Outros Nomes

Arte Floreal, Arte Nova, Jugendstil, Modernista, Modern Style, Style Coup de Fouet, Style Liberty, Style Nouille

Definição

Estilo artístico que se desenvolve entre 1890 e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) na Europa e nos Estados Unidos, espalhando-se para o resto do mundo, e que interessa mais de perto às artes aplicadas: arquitetura, artes decorativas, design, artes gráficas, mobiliário e outras. O termo tem origem na galeria parisiense L’Art Nouveau, aberta em 1895 pelo comerciante de arte e colecionador Siegfried Bing. O projeto de redecoração da casa de Bing por arquitetos e designers modernos é apresentado na Exposição Universal de Paris de 1900, Art Nouveau Bing, conferindo visibilidade e reconhecimento internacional ao movimento. A designação modern style, amplamente utilizada na França, reflete as raízes inglesas do novo estilo ornamental. O movimento social e estético inglês Arts and Crafts, liderado por William Morris (1834 – 1896), está nas origens do art nouveau ao atenuar as fronteiras entre belas-artes e artesanato pela valorização dos ofícios e trabalhos manuais, e pela recuperação do ideal de produção coletiva, segundo o modelo das guildas medievais. O art nouveau dialoga mais decididamente com a produção industrial em série. Os novos materiais do mundo moderno são amplamente utilizados (o ferro, o vidro e o cimento), assim como são valorizadas a lógica e a racionalidade das ciências e da engenharia. Nesse sentido, o estilo acompanha de perto os rastros da industrialização e o fortalecimento da burguesia.

O art nouveau se insere no coração da sociedade moderna, reagindo ao historicismo da arte acadêmica do século XIX e ao sentimentalismo e expressões líricas dos românticos, e visa adaptar-se à vida cotidiana, às mudanças sociais e ao ritmo acelerado da vida moderna. Mas sua adesão à lógica industrial e à sociedade de massas se dá pela subversão de certos princípios básicos à produção em série, que tende aos materiais industrializáveis e ao acabamento menos sofisticado. A “arte nova” revaloriza a beleza, colocando-a ao alcance de todos, pela articulação estreita entre arte e indústria.

A fonte de inspiração primeira dos artistas é a natureza, as linhas sinuosas e assimétricas das flores e animais. O movimento da linha assume o primeiro plano dos trabalhos, ditando os contornos das formas e o sentido da construção. Os arabescos e as curvas, complementados pelos tons frios, invadem as ilustrações, o mundo da moda, as fachadas e os interiores, atestam o balaústre da escada da Casa Solvay, 1894/1899, em Bruxelas, do arquiteto e projetista belga Victor Horta (1861 – 1947); as cerâmicas e os objetos de vidro do artesão e designer francês Emile Gallé (1846 – 1904); a fachada do Ateliê Elvira, 1898, em Munique, do alemão August Endell (1871 – 1925); os interiores do norte-americano Louis Comfort Tiffany (1848 – 1933); as pinturas, os vitrais e painéis do holandês Jan Toorop (1858 – 1928); o Castel Beránger e estações de metrô, de Hector Guimard (1867 – 1942), em Paris; a Casa Milá, 1905/1910, e o Parque Güell, de Antoni Gaudí (1852 – 1926), em Barcelona; a Villa d’Uccle, 1896, do arquiteto e projetista belga Henry van de Velde (1863 – 1957). Um traço destacado de Van de Velde e de outros arquitetos ligados ao movimento é a idéia modernista da unidade dos projetos, que articula o interno e o externo, a função e a forma, a utilidade e o ornamento. Tanto na sua residência – a Villa d’Uccle – quanto em outros ambientes que constrói – The Havana Company Cigar Store ou a Haby Babershop, 1900, ambas em Berlim -, Van de Velde mobiliza pintores, escultores, decoradores e outros profissionais, que trabalham de modo integrado na construção dos espaços, da estrutura do edifício aos detalhes do acabamento.

O art nouveau é um estilo eminentemente internacional, com denominações variadas nos diferentes países. Na Alemanha, é chamado jugendstil, em referência à revista Die Jugend, 1896; na Itália, stile liberty; na Espanha, modernista; na Áustria, sezessionstil. Os três maiores expoentes austríacos do art nouveau, integrantes da Secessão vienense, são o pintor Gustav Klimt (1862 – 1918), o arquiteto Joseph Olbrich (1867 – 1908) – responsável, entre outros, pelo Palácio da Secessão, 1898, em Viena – e o arquiteto e designer Josef Hoffmann (1870 – 1956), autor dos átrios da Casa Moser, 1901/1903, da Casa Koller, 1902, e do Palácio da Secessão. Os trabalhos de Klimt são emblemáticos do modo como a pintura se associa diretamente à decoração e à ilustração no art nouveau. Suas figuras femininas, de tom alegórico e forte sensualidade – por exemplo, o retrato de corpo inteiro de Emilie Flöge, 1902, Judite I, 1901, e As Três Idades da Mulher, 1908 -, têm grande impacto em pintores vienenses como Oskar Kokoschka (1886 – 1980) e Egon Schiele (1890 – 1918).

Ainda no terreno da pintura, é possível lembrar o nome do suíço Ferdinand Hodler (1853 – 1918) e suas obras de expressão simbolista como O Desapontado, 1890; os pintores integrantes do grupo belga Les Vingt (Les XX) – James Ensor (1860 – 1949), Toorop e Van de Velde -; e o inglês Aubrey Vincent Beardsley (1872 – 1898), ilustrador, entre outros, da versão inglesa de Salomé, de Oscar Wilde (1854 – 1900).

No Brasil, observam-se leituras e apropriações de aspectos do estilo art nouveau na arquitetura e na pintura decorativa. Em sintonia com o boom da borracha, 1850/1910, as cidades de Belém e Manaus assistem à incorporação de elementos do art nouveau, seja na residência de Antonio Faciola (decorada com peças de Gallé e outros artesãos franceses) seja naquela construída por Victor Maria da Silva, ambas em Belém. Menos que um art nouveau típico, o estilo na região encontra-se mesclado às representações da natureza e do homem amazônicos, e aos grafismos da arte marajoara, como indicam as peças decorativas de Theodoro Braga (1872-1953) e os trabalhos do português Correia Dias (1893 – 1935). A casa de Braga em São Paulo, 1937, exemplifica as confluências entre o art nouveau e os motivos marajoaras.

A Vila Penteado, prédio atualmente pertencente à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU/USP -, na rua Maranhão, é considerada um dos mais representativos exemplares de art nouveau em São Paulo. Projetada pelo arquiteto Carlos Ekman (1866 – 1940), em 1902, a residência segue o padrão menos rebuscado do estilo sezession austríaco. Na fachada externa, nota-se o discreto emprego de arabescos e formas florais. No monumental hall de entrada, pinturas de Carlo de Servi (1871 – 1947), Oscar Pereira da Silva (1867 – 1939) e ornamentação de Paciulli. Victor Dubugras (1868 – 1933) é outro arquiteto notável pelas construções art nouveau que projeta na cidade, por exemplo, a casa da rua Marquês de Itu, número 80, ou a residência do doutor Horácio Sabino na avenida Paulista esquina com a rua Augusta, ou ainda a estação de ferro de Mairinque, São Paulo, 1906.

No modernismo de 1922, os nomes dos artistas decoradores John Graz (1891 – 1980) e dos irmãos Regina Graz (1897 – 1973) e Antonio Gomide (1895 – 1967), todos alunos de Ferdinand Hodler, evidenciam influências do art nouveau no Brasil. No campo das artes gráficas, alguns trabalhos de Di Cavalcanti (1897 – 1976)Projeto para Cartaz (Carnaval), s.d. e de J. Carlos (1884 – 1950) – por exemplo, as aquarelas Um Suicídio, 1914, e Garota na Onda, s.d. – se beneficiam do vocabulário formal da “arte nova”.

Fonte:

http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=909

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Construções mutáveis

Construções mutáveis

Paulo Pinhal
Construções mutáveis

Construções mutáveis

A vida contemporânea pede de nós uma série de mudanças, que vão das sociais a comportamentais. Os nossos computadores estão ficando obsoletos, nossos celulares não tem “gps”, ainda temos televisões de tubo, nossa geladeira não tem televisão, nosso carro não tem air bags frontal, lateral e por ai vai.

São tantas mudanças em tão pouco tempo que nos faz refletir sobre os espaços que utilizamos quer seja para habitações ou serviços.

Os materiais preferidos dos brasileiros para construção de suas casas ainda são sólidos, verdadeiras fortalezas que são heranças de nossa colonização portuguesa. Esta preferência se verifica até mesmo em casas populares nas periferias das cidades.

As divisões internas dos ambientes ainda são feitas de tijolos ou blocos, resistentes e sólidas onde definem os espaços que deverão ser utilizados. Em obras nos Estados Unidos e na Europa, já houve uma mudança de comportamento sobre esta solidez interna, onde as paredes de Dry Wall (Gesso acartonado), a cada dia ganha mais força, pois alem de ser um material leve e rápido para a execução, tem a vantagem de proporcionar flexibilidade de alterar o dimensionamento dos espaços de acordo com as necessidades presentes.

Esta flexibilidade de mexer nas paredes sem mexer na estrutura das casas, vai de encontro com as construções mutáveis, pois como é comum hoje em dia ver residências de outrora, se transformando em clinicas médicas, consultórios, lojas, escritórios etc.., adaptando o mobiliário e departamentos nos espaços existentes, onde nem sempre encontramos solução feliz.

Já fui testemunha de um sanitário se transformar em um escritório, uma garagem em área de recepção, área de serviço em arquivo morto e por ai vai.
O arquiteto americano Michael Jantzen criou uma casa que torna constante o conceito de renovação. Trata-se da “M-House”, uma construção mutável, que pode ser reorganizada quando e como o dono quiser.

Erguida na cidade de Gorman, na Califórnia, a casa é formada por uma série de painéis retangulares de aço e concreto que se encaixam. A disposição dos painéis e a composição dos ambientes podem ser manualmente modificadas, assim como as entradas de luz natural. O arquiteto também não se esqueceu da funcionalidade da invenção: há dispositivos para eletricidade e água encanada, recursos que uma casa “normal” deve ter.

Se pensarmos que hoje ficamos enjoados de ficar com o mesmo carro por algum tempo, cansamos dos nossos móveis, dos móveis da cozinha, da maneira como estão arranjados os móveis em nosso dormitório, e de todos os equipamentos que dispomos hoje que em pouco tempo acabam ficando desatualizados. Esta proposta de ter casas que sejam mutáveis não deixa de ser uma idéia tentadora, onde a casa possa ser modificada de acordo com a época do ano, no sentido de aproveitar mais a insolação.

Ainda temos uma grande barreira que é a tradição brasileira de construção, mas acreditamos que em pouco tempo teremos uma mudança comportamental, onde o arquiteto deve estar antenado a esta transformação para que possa propor espaços que sejam mutáveis como nossas vidas.

Fonte:  Colegio de Arquitetos

www.colegiodearquitetos.com.br

www.pinhalarquitetura.com.br

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Demolir não, Desconstruir sim

Demolir não, Desconstruir sim

Demolir

Mogi das Cruzes como uma cidade quatrocentona, tem em seu território um grande número de casas que não aguentaram a força do tempo e o próprio crescimento urbano fazendo com que aos poucos fossem transformando em ruínas, ou mesmo sendo demolidas para ser edificado novos prédios, cuja arquitetura é de péssima qualidade.

Este processo continuará, e em cada demolição de um edifício, vai um pouco da história de nossa cidade, que já esta em processo de “conurbação”, o que significa a perda da sua identidade transformando em uma cidade genérica.

Para exemplificar o que estou relatando, em 1996 visitei um bairro comercial no Cairo, Egito, que fiquei surpreso, pois o mesmo parecia o bairro do Brás em São Paulo, só que com propagandas em ideogramas árabes. Um trecho de cidade genérica.

A conurbação é uma epidemia global, onde temos que lutar para que ela aconteça em nossa cidade de maneira controlada, respeitando alguns elementos arquitetônicos que contam a história dos nossos antepassados, respeitando de certa forma nossas tradições.

Os cidadãos devem ser conscientizados da importância deste respeito à  identidade da cidade, pois como já houve estudos da ONU, onde afirmam que quando perdemos as referencias urbana, causam estresse em seus habitantes.

Sugerimos de que quando necessário não deveríamos mais demolir nenhum edifício da cidade e sim desconstrui-lo.

A desconstrução ou demolição seletiva de um edifício é um processo que se caracteriza pelo seu desmantelamento cuidadoso, de modo a possibilitar a recuperação de materiais e componentes da construção, promovendo a sua reutilização e reciclagem.

Este conceito surgiu na Europa, em virtude do rápido crescimento da demolição de edifícios e da evolução das preocupações ambientais da população. A desconstrução abre caminho à valorização e reutilização de elementos e materiais de construção que de outra forma seriam tratados como resíduos sem qualquer valor, e removidos para locais de depósito por vezes não autorizados para esse fim.

Nossas universidades e escolas técnicas existentes na cidade deveriam vem com mais atenção esta sugestão, onde pode ter o envolvimento de vários profissionais que vão de futuros arquitetos, engenheiros civil, engenheiro mecânico, engenheiro químico, biólogos, historiadores e os profissionais da área de meio ambiente.

Na desconstrução como objeto de estudo, é possível entender o processo construtivo da época, e se for o caso criar um registro por meio de maquetes físicas ou eletrônicas da edificação para que possa posteriormente compor a história de nossa cidade.

Com certeza com a desconstrução teríamos diminuição da excessiva produção de resíduos da construção bem como introduziríamos os princípios da sustentabilidade e ecoeficiencia, desenvolvendo soluções construtivas que permitam a aplicação prática viabilizando a construção de edifícios duráveis, adaptáveis, com materiais de menor impacto ambiental e com grande potencialidade de reutilização.

Profissionais da área de construção civil vamos refletir sobre esta sugestão de demolir não, desconstruir sim.

Paulo Pinhal

www.colégiodearquitetos.com.br

www.pinhalarquitetura.com.br

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Cocoon Zurique

Cocoon Zurique

Cocoon Zurique
Cocoon Zurique

O edifício arrojado autônomo encarna uma concepção inovadora de organização do espaço interior e interação com o ambiente circundante. Ao fazer isso, ele serve para uma grande variedade de conceitos de trabalho e ocupação. Com a sua aglomeração em espiral, Cocoon pode ser concebida como uma espécie de “paisagem de comunicação” que cria uma configuração exclusiva espacial e ambiente de trabalho em um cenário incomparável.

Os degraus, subida de corda seqüência de segmentos também molda o caráter do interior do edifício. Todos os espaços estão dispostas ao longo de uma rampa subindo suavemente, que envolve em torno de uma central, o átrio banhado de luz.

O espaço de planejamento dispensa conceito com a tradicional divisão em andares horizontais a favor de uma seqüência aparentemente interminável de segmentos chão elíptica. Ao eliminar as barreiras à comunicação, isso gera uma experiência única, espacial e do ambiente de trabalho que abre uma série de possibilidades interessantes para a interacção e cooperação.

Cocoon ZuriqueInternamente, como as elipses se expandem a cada volta da espiral, o vazio clarabóia abre em um espetáculo deslumbrante. Externamente, o edifício adota o disfarce de uma escultura, dinâmica ascendente de longo alcance. O átrio dramático, com sua riqueza de ligações internas visual, gera um ambiente natural propício à comunicação e um senso de comunidade.

O conjunto de fachada conscientemente acrescenta uma nota de sutileza e sofisticação para a composição total. O edifício está envolto em uma fina, quase escamosa véu de malha de fio de aço inoxidável. Esta cortina ondula elegantemente para cima em linhas suaves ao longo da espiral crescente, sua junção com o terraço acentuadas por um quadro de fachada aberta.

Cocoon ZuriqueCocoon ZuriqueCocoon ZuriqueCocoon Zurique

 

 

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Pensando em metro cúbico

Pensando em Metro Cúbico

Paulo Pinhal

Arquiteto e Urbanista

Pensando em metro cúbico

O mundo e o homem são interessantes, pois começamos com o paradoxo da fotografia onde ela apresenta uma imagem bidimensional de um mundo tridimensional. Vemos imagens de pessoas, objetos e naturezas representadas em um plano, mas o nosso olhar consegue perceber a profundidade de quem esta a frente e de quem esta atrás.

Em arquitetura e na construção quase tudo é baseado em metro quadrado, que é a multiplicação de lado vezes lado. Os órgãos públicos estabelecem seus tributos baseados nas metragens quadradas, por exemplo o IPTU, ITR, ISS e outros.

A mão de obra que vai construir o edifício acaba cobrando pelo metro quadrado, o Corretor de imóvel em sua venda fala da metragem quadrada do empreendimento, e é claro o proprietário também se vangloria de ter uma propriedade de tantos metros quadrados.

Os financiamentos das obras pelas Instituições financeiras também estão baseadas em metros quadrados, pois afinal o custo da obra medido pelas entidades que representam o setor da construção e são referencias para os agentes financeiros estabelece um custo por metro quadrado.

Existem até arquitetos que cobram seus projetos por metro quadrado, o que por si só já é um absurdo, tendo visto de que temos projetos arquitetônicos complexos que pedem para que pensemos em pé direito duplo, triplo, equipamentos de infraestrutura como tubulações de ar condicionados, andar técnicos, o conforto ambiental como por exemplo um Hospital, Clinica Médica, Lojas especializadas em determinado tipo de produto, Arquitetura de Interiores, onde não é possível prever tudo que vai acontecer em projeções bidimensionais.

Vivemos em espaços tridimensionais que é lado vezes lado vezes a altura. Quando um arquiteto entra no processo de criação, ele tem que imaginar tanto a circulação horizontal, bem como a circulação vertical, ou seja, ele tem que pensar em 3D, ou em metro cúbico.

Acredito que a origem de ter o metro quadrado tão divulgado e normatizado pela grande massa, se deve ao fato de que desde a adesão das projeções Mongeanas (nada em haver com Mogi, e sim com Gaspard Monge o pai da geometria descritiva), onde por meio de representações ortográficas do tipo Planta, Corte e Elevação, fez com que toda uma geração se acostumasse a ver as projeções de um espaço tridimensional em bidimensional.

Os equipamentos de desenho técnico até alguns anos atrás, antes do CAD, eram: Régua T ou régua paralela, esquadros, compassos, transferidor etc..

Hoje temos a ferramenta da informática, que são possíveis fazer simulações dos espaços, visualizar a obra antes de ela ser construída, deixando visualmente compreensível para quem vai utilizar aqueles espaços que ainda não existem.

Estamos vivendo um novo mundo, onde pede para que o arquiteto projete em 3D, e mostre para os seus clientes de maneira clara, a insolação, a iluminação artificial, a circulação e demais informações que nos desenhos das últimas décadas ficaram obsoletos.

Arquitetos, na hora de projetar vamos pensar em metro cúbico, pois é a maneira correta de pensar em ambientes contemporâneos.

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Especificação de materiais

Especificação de materiais

Paulo Pinhal

especificação de materiais

Arquiteto e Urbanista

Nós arquitetos, quando projetamos espaços, conseguimos ter uma visão geral de como vai funcionar e como será usado o ambiente que ainda não existe.

Tomamos certo cuidado para que todos os itens que compõem o ambiente estejam no local em harmonia. Para isso representamos graficamente, o que nós chamamos de projeto executivo, memorial justificativo, memorial descritivo, o que orientará a mão de obra para a execução fiel do que projetamos.

Na representação gráfica do ambiente, fazemos a planta (que é um corte na horizontal da edificação, na altura de 1,50m mais ou menos), cortes e fachadas em escala para quem vai executar a construção tenha a mesma compreensão que o arquiteto sem esquecer dos detalhes.

Levantado as paredes, vem os revestimentos, as portas, janelas e os acessórios que vão compor todo o conjunto e é nessa hora do acabamento da obra é que podemos dizer que os problemas aparecem e são responsáveis pelas dores de cabeça de quem não é da área da arquitetura.

O problema que ocorre é porque nem sempre o Arquiteto especifica quais os materiais que serão utilizados para aquele tipo de edificação. E como sabemos e é institucional o proprietário resolve por conta própria, para economizar com o profissional arquiteto, ele mesmo fazer as compras dos materiais de acabamento.

O fato de não ter uma obra com os materiais de acabamento especificados é que faz com que o proprietário seja seduzido pelo bom papo do vendedor de materiais de construção, onde este mostrará apenas as vantagens de adquirir determinado tipo de material.

Esta falta de especificações dos materiais, causam problemas do tipo ter que refazer pisos e aberturas de vãos de portas e janelas, pois as medidas das portas compradas não batem com os vãos da obra e terão que ser adaptadas. Desperdícios de materiais, onde o proprietário acaba comprando materiais de marcas duvidosas que não são compatíveis com outros materiais. Tudo isso contribui para transformar a obra em um verdadeiro laboratório de experimento, o que acarreta prejuízos.

O proprietário acha que teve vantagens com determinado tipo de material que estava em promoção, e no final das contas acabou saindo mais caro do que se tivesse comprado o material especificado pelo arquiteto. Podemos adicionar a este fato a escolha de materiais de acabamento que não combinam, deixando o ambiente com um aspecto antiestético o qual deixa o arquiteto autor do projeto chateado, muitas vezes até acabando por tirar a responsabilidade por achar que o proprietário estragou a idéia do conjunto.

As grandes construtoras já aprenderam há tempos de que é necessária a especificação de materiais, onde a disputa fica pelo preço e condições de pagamento, evitando assim desperdícios e retrabalhos.

Existem hoje dentro do mercado de construção civil, escritórios especializados em especificação de materiais, os quais de acordo com o memorial descritivo e justificativo do arquiteto, elaboram as especificações sem prejudicar o conjunto.

Se você esta construindo ou reformando, fale com seu arquiteto sobre especificações dos materiais. Acerte com ele este serviço que com certeza trará economia e qualidade para a sua obra independente do porte.

Use mais o seu arquiteto, pois o seu espaço esta na cabeça dele.

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Despark Hotel

Despark Hotel

HOTEL FEITO COM TUBOS DE ESGOTO

Ottensheim – Austria

Despark Hotel

Despark Hotel

A inspiração para o “Tubehotel” veio do trabalho do arquiteto Andreas Strauss e da Desparkhotel (dona do empreendimento), com a necessidade de adaptar um quarto barato para os usuários.

O cliente gostou do conceito do hotel em tubo, usado no início como experimento, então foi pedido que o arquiteto projetasse um hotel com 20 quartos. Ao contrário de como é realmente o Desparkhotel, os tubos foram colocados em cima uns dos outros para criar um “segundo piso” acessada através de uma escadaria, criando mais densidade bem como as melhores vistas ficaram para os andares superiores.

Despark Hotel

Cada tubo tem dimensões de 2,44 m de largura e 3,50 m de comprimento e acomoda uma cama de casal com espaço embaixo para armazenamento. Personalizados tampas construídas fornecem janelas e uma porta de um lado com cortinas para privacidade.

Os quartos de tubo certamente não são grandes o suficiente para abrigar um banheiro com chuveiro, assim, o hotel oferece dois balneários para uso dos seus clientes. A “t3arc”, escritório onde o arquiteto trabalha, foi responsável pela construção do primeiro conjunto modular de três quartos em tubos.

Os tubos foram colocados em torno de um pátio central no exterior, situado entre as árvores com respeito à topografia. A construção do hotel levou cerca de 3 meses.Despark Hotel.

Telescup uma brincadeira

telescup

Telescup

Tem algumas brincadeiras que nunca saem de moda e passam de geração para geração! Isso quer dizer que seus avós brincavam delas, depois seus pais, e hoje é você quem se diverte com essas brincadeiras! Uma ou outra coisinha mudou nas brincadeiras com o passar do tempo, então algumas delas têm mais de um jeito diferente de brincar.

Mas sempre existem outras propostas contemporâneas que estão ai para diversão.

Telescup uma brincadeira- Uma das razões pelas quais eu adoro trabalhos Li Jianye é a suaabordagem simplista de design.

Seja o Flexibin original ou o iShelf, ambos exalam inteligência, charme e detalhando pensativo. Desta vez ele tem um brinquedo funcional para nós, O Telescup, um conjunto de copos que coordenam a tornar-se um telescópio de improviso.

Agora não é isso o que nós chamamos inteligente!

Designer: Li Jianye

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Oscar Niemeyer

Oscar Niemeyer

AD Interviews: Oscar Niemeyer

Site www.archdaily.com

Entrevista por  David Basulto

Oscar Niemeyer

A última parte do nosso dia no Brasil, comemorando o aniversário de 104 do renomado arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer e o lançamento de Archdaily Brasil: Uma entrevista exclusiva com o próprio Sr. Niemeyer.

– Como você começou seu escritório?

Meu escritório em uma Copacabana, a única que eu tenho foi aberto e organizado para atender, desde o início dos anos 50, a crescente demanda. Nos últimos 13 anos tenho sido o arquiteto só aqui “no trabalho”, a fase inicial do projetos é feito por mim, até o projeto básico, e então eu confio o seu desenvolvimento para outros escritórios de arquitetura, especialmente os dirigidos por meu amigo  Jair Valera e minha neta querida, Ana Elisa.

– Para você, o que é Arquitetura?

Na minha opinião, a arquitetura é invenção. E sob esse prisma é como eu faço meus projetos, sempre em busca de soluções bonita, expressiva, diferente e surpreendente.

– Você foi muito ativo durante um período de mudanças políticas e sociais. Qual deve ser o papel dos arquitetos na nossa sociedade?

O arquiteto é um cidadão como qualquer outro, sempre aberto para atender qualquer tipo de programa apresentado a ele, e ser constantemente conscientes da necessidade da sociedade de mudar, de promover um mundo justo e solidário.

– Qual é a importância da inovação para o seu escritório?

Nosso escritório está perseguindo constantemente a inovação, tentando manter o meu próprio estilo livre de arquitetura mais aberta, mais pessoal e suave, que eu faço há mais de seis décadas. Através de meus desenhos tenho dados aos engenheiros a oportunidade de inovar em seu campo, como o meu amigo José Carlos Sussekind, reconhecido como a pessoa responsável para as estruturas concebidas por mim no livro “Conversa de Amigos” – Editora Revan, Rio de Janeiro).

– Qual é a importância do networking para você?

Eles tornaram-se algo fundamental na nossa idade.

– Qual é a importância da Internet para o seu escritório?

Eu acho que a Internet é mais útil para os meus colegas e colaboradores do meu escritório – especialmente os que trabalham em nossa revista “Nosso Caminho” -. O que estou dizendo aqui também se aplica a Vera, minha esposa. É verdade que as pessoas que trabalham no escritório do Jair e da Ana Elisa aproveitam mais a rede mundial de computadores do que eu.

– O que você recomendaria a alguém que quer estudar Arquitetura?

Que nunca deixe as disciplinas mais técnicas enfraquecerem ou influenciar negativamente a intuição criativa do aluno. E nunca subestimar a importância da leitura: é preciso sempre ler, principalmente sobre temas não relacionados à profissão.

Quem aspira a ser um arquiteto precisa olhar para uma formação ampla e crítica, como profissional e como cidadão.

– Então, como se preparar para o mundo depois de estudar?

Para mim a leitura é fundamental. Eu expressei isso no meu livro “Ser e a Vida”, editado pelo meu amigo Renato Guimarães.

– O que você pode nos contar sua experiência após a partida e executando uma prática arquitetônica?

Eu consegui construir um escritório em Copacabana há 50 anos, e para mais de uma década eu era o único arquiteto. Eu elaborarava o projeto, definia o projeto básico e só então eu confiava para outro escritório para desenvolvê-lo – quase o tempo todo sob a direção de minha neta Ana Elisa e meu bom amigo Jair Valera, como eu disse antes.

Para gerenciar cada projeto é algo muito pessoal e, portanto, relacionados com as minhas decisões. Tudo funciona muito bem no meu escritório. É uma decisão que parece manter uma arquitetura livre, mais leve, focado na busca da beleza, a surpresa da arquitetura. Uma arquitetura que tenho defendido há muito tempo.

– Qual é a sua visão sobre o estado atual da arquitetura brasileira?

Estou muito consciente sobre o nível de qualidade que tem sido alcançado por arquitetos brasileiros e estrangeiros. Cada arquiteto deve ter sua arquitetura, e de crescer, de forma independente, sua intuição criativa e para evitar repetição.

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