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Aldemy Gomes de Oliveira

Arquiteto Aldemy Gomes de Oliveira

No dia 7 de setembro de 2010,  Mogi das Cruzes perdeu um ícone da Arquitetura e Urbanismo na Cidade. Aldemy Gomes de Oliveira viveu 74 anos, sendo 47 desses voltados à profissão. Ele nasceu em Palmares (PE) e se formou em Arquitetura na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1963. Depois de trabalhar em vários escritórios e de atuação de destaque na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), chegou a Mogi em 1968, quando foi indicado para compor o corpo técnico do Plano Diretor da Cidade. Continue lendo Aldemy Gomes de Oliveira

Carlos Clery

Entrevista

Arquiteto Carlos Clery

 

Vocação é o que o arquiteto Carlos Clery tem de sobra. Mesmo lutando contra o destino de ser arquiteto, como ele mesmo conta, a profissão correu atrás dele e o alcançou há 35 anos, quando formou-se com a primeira turma de Arquitetura da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). “Trabalhei muito tempo com decoração, com Buffet, como feirante, vendia franga de porta em porta nas casas de Mogi das Cruzes. Fui funcionário de empresas, fiquei sentado atrás de uma mesa por um bom tempo. Sempre tive o sonho de ser médico cirurgião plástico, mas mogianos de influência, como o pai do Isidoro Dori Boucault, acreditavam em mim e queriam me presentear com uma bolsa para a faculdade de Arquitetura”. Continue lendo Carlos Clery

Eduardo Knesse de Mello

Eduardo Kneese de Mello (São Paulo SP 1906 – idem 1994).

Eduardo Knesse de Mello Arquiteto. Em 1925, ingressa da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, formando-se engenheiro-arquiteto em 1931. Ainda estudante abre um escritório de topografia com os colegas Oswaldo Bratke (1907-1997), Oscar Americano (1908-1974) e Clovis Silveira. Recém-formado, abre um escritório de arquitetura e construção, produzindo residências particulares até os anos 1940, quando passa a se dedicar exclusivamente aos projetos, desenhando edifícios comercias, residenciais, educacionais e de saúde, além de conjuntos habitacionais públicos e privados, dos quais se destacam: os Conjuntos Residenciais dos Institutos de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI) (1947) edos Comerciários (IAPC) (1947, não construído) e o Conjunto Residencial Ana Rosa (1952), todos em São Paulo. Continue lendo Eduardo Knesse de Mello

Severiano Porto

Severiano Porto

SEVERIANO PORTO
Severiano Mario Porto nasceu em 1928 em Uberlândia/MG, mas se notabilizou por suas obras na região da Floresta Amazônica, onde viveu por 36 anos. O arquiteto chegou à Amazônia em 1965, quando não havia grande preocupação em adaptar as construções às condições da região. Deste modo, foi o primeiro a projetar preocupando-se declaradamente com o contexto amazônico, procurando também difundir suas idéias, que incluíam novos padrões de projeto, métodos construtivos e materiais adequados à região. Para adaptar sua arquitetura à Amazônia, naturalmente uma de suas preocupações foi com a preservação ambiental. A adequação ao clima peculiar da região também foi motivo de preocupação de Mario Porto, bem como o empego de materiais e mão-de-obra locais e a harmonia formal com o ambiente. Continue lendo Severiano Porto

Narciso Martins

Entrevista com o Arquiteto Narciso Martins

martins_sitePodemos considerar o Arquiteto Narciso Martins, um arquiteto com “A” maiúsculo, pois em sua trajetória profissional teve a oportunidade de trabalhar com o arquiteto Oscar Niemeyer e ao longo do tempo trabalhando em grandes construtoras acabou influenciando um grandes número de arquitetos que hoje fazem sucessos.

Arquiteto que traz em seu currículo de residências simples a Shopping Center, Edifícios Comerciais, Usina de Álcool e até Hospital, continua produzindo com muito amor a profissão, pois afinal a criatividade e o conhecimento não se aposentam.

Em seu discurso aos futuros profissionais, Martins sempre apresenta a arquitetura como um elemento especial e essencial para o homem.

Nesta entrevista, Martins fala um pouco de sua trajetória, de seus projetos e sua mensagens para os profissionais.

01. Qual é sua formação e os caminhos que percorreu na profissão de arquiteto?
Meu caminho foi na ordem inversa. Fui aprovado no vestibular do Mackenzie em 1955, porem, o curso na época era em tempo integral, e, como precisava trabalhar não foi possível cursar a Faculdade, forçando-me a trancar o curso.
Profissionalmente comecei como desenhista na Companhia brasileira de Sinalização SA, sendo promovido à projetista e posteriormente a chefe do departamento técnico. Essa Empresa cuidava de sinalização de ferrovias em todo o Brasil.
Paralelamente trabalhava a noite em escritório próprio elaborando projeto arquitetônico para diversas construtoras.
Em 1961 constitui juntamente com Constantin N Cancas a construtora Cancas, Martins. Engenharia e Construções Ltda, após vencer um concurso de projeto para construção de um Hospital Geral com capacidade para 200 leitos – hoje Hospital Municipal de Diadema. Continue lendo Narciso Martins

Pérolas do Niemeyer

Pérolas do Niemeyer

O HUMOR É IMPRESCINDÍVEL À VIDA.

Este texto foi escrito antes de sua morte. Nós mantemos porque o próprio Niemeyer achou engraçado.

Pérolas do Niemeyer

Jovem aos 104 anos…


 

Mais uma prova de que a caduquice só ocorre para os que se negam a continuar vivendo normalmente. Vejam o que ele deixa em seu blog no twitter, pois há algumas perfeitas para começar a semana.

 

PÉROLAS DE OSCAR NIEMEYER (104 ANOS)

– Ganhei um convite para ver o filme da Bruna Surfistinha. Espero que seja MESMO um filme sobre surf. O filme da Bruna Surfistinha é uma apologia ao baixo meretrício e aos mais baixos instintos humanos. Mas pelo menos rolou uns peitinhos.

 

– Meu médico me proibiu de tomar vinho todos os dias. Sorte que ele não falou nada sobre Smirnoff Ice.

 

– Fui convidado para ver o pessoal do Comédia em Pé. Só não vou porque minha artrite não deixa ficar em pé muito tempo.

 

– Esse humor do Zorra Total já era antigo quando eu era criança.

 

– Linda, eu não vou a museus. Eu CRIO museus. Quer ir Ver uns museus?

 

– Sem sono e a fim de sair pro agito. Quem embarca?

 

– Existem apenas dois segredos para manter a lucidez na minha idade: o primeiro é manter a memória em dia. O segundo eu não me lembro.

 

– Ivete Sangalo me encomendou o primeiro trio elétrico de concreto armado do mundo. O pessoal aqui no escritório já apelidou de “Sangalão”. A proposta era fazer o “Sangalão” de madeira para ficar mais leve. Aí eu disse pra Ivete “Quer de madeira? chama um MARCENEIRO!”.

 

– Projetar Brasília para os políticos que vocês colocaram lá foi como criar um lindo vaso de flores pra vocês usarem como PINICO.

 

– Caro Sarney: ser imortal na Academia Brasileira de Letras é mole. Quero ver é tentar ser aqui fora!

 

– Nunca penso na morte, NUNCA. Vou deixar para pensar nisso quando tiver mais idade.

 

– Perto de mim Justin Bieber ainda é um espermatozóide.

 

– Odeio praias lotadas aos domingos. Não dá pra surfar direito, é o maior crowd.

 

– Brasília nunca deveria ter sido projetada em forma de avião. O de camburão seria mais adequado. Na verdade quem projetou Brasília foi Lúcio Costa. Eu fiz uns prédios e avisei que aquela merda não ia dar certo. Sim, ela é aquele avião que não decola NUNCA. Segundo a Nasa, Brasília é inconfundível vista do espaço.

 

– Duro admitir, mas atualmente Marcela Temer é o monumento mais comentado de Brasília.

 

– Todos ficam falando Zé Alencar é isso, Zé Alencar é aquilo. Mas quem fez Pilates e caminhou na praia hoje? EU!

 

– O frevo foi criado há 104 anos. Ou seja: só tive um ano de sossego desse pessoal pulando de guarda-chuvinha.

 

– Segredo da Longevidade 48: Não viva cada dia como se fosse o último. Viva como se fosse o primeiro.

 

– Na minha idade, a melhor coisa de acordar de madrugada para ir ao banheiro é ter acordado.

 

– Alguns homens melhoram depois dos 40. E eu mesmo só comecei a me sentir mais gato depois dos 90.

 

– Queria muito encontrar um emprego vitalício. Só pra garantir o futuro, sabe… Andei Comprando apostilas para Concurso do Banco do Brasil. Não quero viver de arquitetura o resto da vida.

 

– Foi-se o John Herbert, 81 anos. Essa molecada da área artística se acaba rápido demais.

 

– Só me arrependo de UMA coisa na vida: de não ter cuidado melhor da minha saúde para poder viver mais.

 

– São Paulo mostrou ao Brasil como se urbanizar com inteligência: basta fazer o exato contrário do que aconteceu lá.

 

– Fato: o meu edifício Copan aparece em 50% dos cartões postais de São Paulo. DE NADA.

 

– A quem interessar possa: eu NÃO estive presente na fundação de São Paulo há 457 anos. Na verdade eu não fui nem convidado.

 

– Se eu projetasse a casa do Big Brother os participantes iriam brigar pra ver quem saía PRIMEIRO.

 

– A vida é um BBB e eu quero ser o último a sair!.

Demolir não, Desconstruir sim

Demolir não, Desconstruir sim

Demolir

Mogi das Cruzes como uma cidade quatrocentona, tem em seu território um grande número de casas que não aguentaram a força do tempo e o próprio crescimento urbano fazendo com que aos poucos fossem transformando em ruínas, ou mesmo sendo demolidas para ser edificado novos prédios, cuja arquitetura é de péssima qualidade.

Este processo continuará, e em cada demolição de um edifício, vai um pouco da história de nossa cidade, que já esta em processo de “conurbação”, o que significa a perda da sua identidade transformando em uma cidade genérica.

Para exemplificar o que estou relatando, em 1996 visitei um bairro comercial no Cairo, Egito, que fiquei surpreso, pois o mesmo parecia o bairro do Brás em São Paulo, só que com propagandas em ideogramas árabes. Um trecho de cidade genérica.

A conurbação é uma epidemia global, onde temos que lutar para que ela aconteça em nossa cidade de maneira controlada, respeitando alguns elementos arquitetônicos que contam a história dos nossos antepassados, respeitando de certa forma nossas tradições.

Os cidadãos devem ser conscientizados da importância deste respeito à  identidade da cidade, pois como já houve estudos da ONU, onde afirmam que quando perdemos as referencias urbana, causam estresse em seus habitantes.

Sugerimos de que quando necessário não deveríamos mais demolir nenhum edifício da cidade e sim desconstrui-lo.

A desconstrução ou demolição seletiva de um edifício é um processo que se caracteriza pelo seu desmantelamento cuidadoso, de modo a possibilitar a recuperação de materiais e componentes da construção, promovendo a sua reutilização e reciclagem.

Este conceito surgiu na Europa, em virtude do rápido crescimento da demolição de edifícios e da evolução das preocupações ambientais da população. A desconstrução abre caminho à valorização e reutilização de elementos e materiais de construção que de outra forma seriam tratados como resíduos sem qualquer valor, e removidos para locais de depósito por vezes não autorizados para esse fim.

Nossas universidades e escolas técnicas existentes na cidade deveriam vem com mais atenção esta sugestão, onde pode ter o envolvimento de vários profissionais que vão de futuros arquitetos, engenheiros civil, engenheiro mecânico, engenheiro químico, biólogos, historiadores e os profissionais da área de meio ambiente.

Na desconstrução como objeto de estudo, é possível entender o processo construtivo da época, e se for o caso criar um registro por meio de maquetes físicas ou eletrônicas da edificação para que possa posteriormente compor a história de nossa cidade.

Com certeza com a desconstrução teríamos diminuição da excessiva produção de resíduos da construção bem como introduziríamos os princípios da sustentabilidade e ecoeficiencia, desenvolvendo soluções construtivas que permitam a aplicação prática viabilizando a construção de edifícios duráveis, adaptáveis, com materiais de menor impacto ambiental e com grande potencialidade de reutilização.

Profissionais da área de construção civil vamos refletir sobre esta sugestão de demolir não, desconstruir sim.

Paulo Pinhal

www.colégiodearquitetos.com.br

www.pinhalarquitetura.com.br

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Oscar Niemeyer

Oscar Niemeyer

AD Interviews: Oscar Niemeyer

Site www.archdaily.com

Entrevista por  David Basulto

Oscar Niemeyer

A última parte do nosso dia no Brasil, comemorando o aniversário de 104 do renomado arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer e o lançamento de Archdaily Brasil: Uma entrevista exclusiva com o próprio Sr. Niemeyer.

– Como você começou seu escritório?

Meu escritório em uma Copacabana, a única que eu tenho foi aberto e organizado para atender, desde o início dos anos 50, a crescente demanda. Nos últimos 13 anos tenho sido o arquiteto só aqui “no trabalho”, a fase inicial do projetos é feito por mim, até o projeto básico, e então eu confio o seu desenvolvimento para outros escritórios de arquitetura, especialmente os dirigidos por meu amigo  Jair Valera e minha neta querida, Ana Elisa.

– Para você, o que é Arquitetura?

Na minha opinião, a arquitetura é invenção. E sob esse prisma é como eu faço meus projetos, sempre em busca de soluções bonita, expressiva, diferente e surpreendente.

– Você foi muito ativo durante um período de mudanças políticas e sociais. Qual deve ser o papel dos arquitetos na nossa sociedade?

O arquiteto é um cidadão como qualquer outro, sempre aberto para atender qualquer tipo de programa apresentado a ele, e ser constantemente conscientes da necessidade da sociedade de mudar, de promover um mundo justo e solidário.

– Qual é a importância da inovação para o seu escritório?

Nosso escritório está perseguindo constantemente a inovação, tentando manter o meu próprio estilo livre de arquitetura mais aberta, mais pessoal e suave, que eu faço há mais de seis décadas. Através de meus desenhos tenho dados aos engenheiros a oportunidade de inovar em seu campo, como o meu amigo José Carlos Sussekind, reconhecido como a pessoa responsável para as estruturas concebidas por mim no livro “Conversa de Amigos” – Editora Revan, Rio de Janeiro).

– Qual é a importância do networking para você?

Eles tornaram-se algo fundamental na nossa idade.

– Qual é a importância da Internet para o seu escritório?

Eu acho que a Internet é mais útil para os meus colegas e colaboradores do meu escritório – especialmente os que trabalham em nossa revista “Nosso Caminho” -. O que estou dizendo aqui também se aplica a Vera, minha esposa. É verdade que as pessoas que trabalham no escritório do Jair e da Ana Elisa aproveitam mais a rede mundial de computadores do que eu.

– O que você recomendaria a alguém que quer estudar Arquitetura?

Que nunca deixe as disciplinas mais técnicas enfraquecerem ou influenciar negativamente a intuição criativa do aluno. E nunca subestimar a importância da leitura: é preciso sempre ler, principalmente sobre temas não relacionados à profissão.

Quem aspira a ser um arquiteto precisa olhar para uma formação ampla e crítica, como profissional e como cidadão.

– Então, como se preparar para o mundo depois de estudar?

Para mim a leitura é fundamental. Eu expressei isso no meu livro “Ser e a Vida”, editado pelo meu amigo Renato Guimarães.

– O que você pode nos contar sua experiência após a partida e executando uma prática arquitetônica?

Eu consegui construir um escritório em Copacabana há 50 anos, e para mais de uma década eu era o único arquiteto. Eu elaborarava o projeto, definia o projeto básico e só então eu confiava para outro escritório para desenvolvê-lo – quase o tempo todo sob a direção de minha neta Ana Elisa e meu bom amigo Jair Valera, como eu disse antes.

Para gerenciar cada projeto é algo muito pessoal e, portanto, relacionados com as minhas decisões. Tudo funciona muito bem no meu escritório. É uma decisão que parece manter uma arquitetura livre, mais leve, focado na busca da beleza, a surpresa da arquitetura. Uma arquitetura que tenho defendido há muito tempo.

– Qual é a sua visão sobre o estado atual da arquitetura brasileira?

Estou muito consciente sobre o nível de qualidade que tem sido alcançado por arquitetos brasileiros e estrangeiros. Cada arquiteto deve ter sua arquitetura, e de crescer, de forma independente, sua intuição criativa e para evitar repetição.

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Arquiteto Cláudio Martins

Arquiteto Cláudio Martins

O arquiteto Cláudio Martins vem nos últimos anos deixando sua marca na cidade com a verticalização de seus projetos e obras. Começou com o Edifício Rebecca e depois vieram: La Défense, Liberal Office Tower , Ravenna, Stéphanie, a série Espanha entre outros. Não podemos esquecer do Centro Comercial Mogi Plaza.
Com idéias sempre arrojadas para a cidade nesta entrevista ele fala um pouco sobre o outro lado do profissional com suas atividades dentro da Prefeitura bem como ex-presidente da AEAMC – Associação de Engenheiros e Arquitetos de Mogi.

Na entrevista concedida ao CDA em Revista, Martins conta um pouco de sua trajetória.

CDA em Revista – Quando se formou? Em qual universidade?
Cláudio Martins – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Braz Cubas, em 1973 – 1ª turma.

CDA – Buscou especialização na área?
CM – Fiz extensão universitária na Fundação para a Pesquisa Ambiental da USP.
Arquiteto Cláudio Martins
CDA – Quando decidiu pela Arquitetura?
CM – Desde meus 17 anos comecei a aprender a profissão, estagiando na Construtora Burke e Gemma, que era uma das principais da cidade.

CDA – O senhor estagiou antes de assumir de vez o projeto de sua empresa?
CM – Estagiei com os principais profissionais da época, tais como Miguel Gemma, John Ulic Burke Junior, Cláudio Abrahão, Frederico Rene de Jaegher, Hiroshi Matsutani, Rui Barbosa, com os quais aprendi muito.Também trabalhei como desenhista na Prefeitura de Mogi, de 1960 a 1968.

CDA – Quando nasceu a Marsil? O que de novo a proposta dela trouxe para Mogi das Cruzes?
CM – A CONSTRUTORA MARSIL LTDA. nasceu em 20 de abril de 1976. A proposta inicial era a de projetar e administrar a construção de residências e prédios comerciais para terceiros. Depois, ampliamos as atividades, executando obras públicas e industriais. Mais tarde, pela demanda do mercado, passamos à execução de prédios em condomínio e podemos dizer que fomos pioneiros na Cidade na verticalização das construções. Hoje nos concentramos em empreendimentos próprios, principalmente voltados para a classe média. Dependendo da época, empregamos de 100 a 400 operários.

CDA – Em qual período sua relação com a Prefeitura Municipal se estreitou?
CM – De 1993 a 1996, fui Presidente da Companhia de Desenvolvimento de Mogi das Cruzes (Codemo), empresa municipal, que hoje não existe mais, e que era responsável por todas as obras do município nos governos dos prefeitos Francisco Ribeiro Nogueira e Manoel Bezerra de Mello (Padre Mello).

CDA – Qual o projeto que mais se recorda deste período?
CM – Foram muitos. Posso destacar alguns pela importância que eles representaram para a Cidade: o Ginásio Municipal de esportes Prof. Hugo Ramos; a canalização do rio Negro desde a Rua São João até a rua Braz Cubas, acabando com enchentes que assolavam aquele trecho há mais de 30 anos; a extensão da Via Perimetral desde a rotatória da Mogi Dutra até a Avenida Francisco Ferreira Lopes, em Braz Cubas, atravessando uma área pantanosa e o rio Tietê; as Avenidas Manoel Bezerra Lima Filho e Yoshitero Onishi como uma  nova saída para São Paulo, desde o Supermercado D’Avó até a Avenida Carlos Alberto Lopes (antiga Avenida dos Estudantes); o início das obras da passagem de nível sob a via férrea na Rua Olegário Paiva, projeto inédito no Brasil pelo método de execução não destrutivo e sem interrupção do tráfego de trens.

CDA – E qual o projeto que gostaria de ter implementado mas não conseguiu, seja por falta de recursos ou de tempo?
CM – O Centro Cultural, projeto do arquiteto e hoje secretário de Planejamento, João Francisco Chavedar, que com certeza colocaria nossa Cidade num patamar muito mais elevado na educação e cultura.

CDA – No período como presidente da AEAMC, qual o projeto que articulou e as ideias que colocou em pauta para a Cidade?
CM – Na época, a Associação lutava para se fixar e as dificuldades eram muitas, mas lutamos pela defesa da classe juntamente à municipalidade e ao CREA na solicitação de inspetores, o que abriu, mais tarde, o caminho para a instalação da sede regional do CREA em Mogi.
Arquiteto Cláudio Martins
CDA – Com tantos empreendimentos habitacionais nascendo na Cidade, como o senhor vê o futuro da profissão aqui? As obras pedem mão de obra especializada, o que é a principal reivindicação de construtoras.
CM – O futuro é promissor para a profissão. As obras exigem operários qualificados, pois cada vez mais surgem produtos e técnicas que precisam de mão de obra habilitada. O surgimento de cursos práticos e objetivos se impõem para a evolução que não para.O poder público também tem que acompanhar essa velocidade, liberando as aprovações com mais agilidade e menos burocracia e uma legislação diferenciada para os operários da construção que normalmente atuam num período de curta duração.

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