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Dúvidas da norma 16.280 da ABNT

Dúvidas da norma 16.280 da ABNT

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Com tantas dúvidas sobre a norma 16.280 da ABNT,  o CDA procurou fazer um apanhado para melhor orientar os profissionais e a comunidade que consomem os serviços dos arquitetos.

Entre tantos comentários, escolhemos as informações do SíndicoNet (www.sindico.com.br ou www.sindiconet.com.br ) que funciona como o “braço direito” dos síndicos, moradores e administradores de condomínios na Internet Brasileira. 

Como a entrou em vigor no dia 18/04/2014 a nova norma da ABNT, 16.280,  que regulamenta as reformas em edificações, tanto na parte das unidades como nas áreas externas, por ser recente existem muitos questionamentos.

Pensando nisso, o SíndicoNet escolheu as perguntas mais recorrentes e conversou com engenheiros, advogados, administradores de condomínios e um diretor do Secovi para esclarecer todas as dúvidas. Confira abaixo:

1- É necessário pedir autorização para o síndico mesmo se eu for executar apenas uma pintura?

Se for apenas pintura, e nada além de pintura, dentro da unidade, não precisa de ART e nem de RRT e nem de autorização do síndico.

2- A regra vale para quem já começou a reforma antes do dia 18/04/2014?

É importante lembrar que mesmo antes dessa data, os moradores já deveriam elaborar um plano e enviá-lo ao síndico, quando fossem efetuar alguma mudança que impactasse na estrutura da edificação.

Com a norma, porém, o síndico ganhou mais força para exigir esse plano. Por isso, mesmo aqueles que começaram alguma alteração antes do dia 18/04, devem sim submetê-la ao crivo do síndico.

3- Se a norma da ABNT não é uma lei, por que preciso segui-la?

Realmente as normas da ABNT não são leis. Porém, se houver algum acidente, o síndico e o morador que fez a reforma serão responsabilizados, já que a jurisprudência, ao longo do tempo, mostra que o caminho “correto” a ser seguido é o de obedecer às normas da ABNT, mesmo que as mesmas não tenham força de lei.

4- É necessário pedir autorização para o síndico mesmo se for trocar apenas o piso?

A questão principal não é a troca do piso por um material semelhante. É a remoção do piso antigo com a utilização de marretas e ferramentas de alto impacto. Se houver o uso desse tipo de ferramental, é importante que a substituição seja feita por uma empresa especializada, e que a mesma forneça um ART ou RRT. Outro ponto a se destacar é o peso do novo piso, que pode ser incompatível com a estrutura da laje.

5- A nova norma serve também para as áreas comuns do condomínio, como reparo das quadras, churrasqueira e salão de festas?

Sim. Porém, como nesses casos geralmente envolvem grandes somas, já era comum a escolha por uma empresa especializada e capacitada que oferecesse responsabilidade técnica pelo projeto.

6- Quem irá fiscalizar se o síndico realmente está cobrando as ARTs  e RRTs dos moradores que estão reformando as suas unidades?

Como é um assunto de interesse de todos, os próprios moradores podem cobrar do síndico a fiscalização correta, seja por meio de uma comissão de obras que ajude o síndico a receber os projetos e ARTs ou RRTs, ou pelas assembleias de condomínio.

7- Como o síndico pode agir quando um morador seguir com a obra mesmo sem apresentar a ART/RRT?

O síndico pode parar a obra de diversas formas. O ideal, porém, é fazer um pedido formal e protocolado da ART ou RRT. Depois disso, caso não seja atendido, ele pode pedir o embargo da obra na prefeitura, ou fazer um B.O. relatando o ocorrido. Outra saída é simplesmente não deixar o material ou os funcionários da unidade em reforma entrarem no condomínio.

8- É necessário que o síndico tenha apoio de alguma empresa ou de um engenheiro para validar as ARTs / RRTs recebidas?

Para se resguardar, principalmente no caso de grandes reformas, é recomendado que o síndico tenha com quem dividir a responsabilidade de analisar os projetos e as ARTs ou RRTs. Por mais que esses documentos atestem que a obra não trará problemas para a edificação, o síndico, sozinho, muitas vezes não tem condições técnicas de avaliar o que está ali.

Uma saída é que o síndico contrate uma empresa especializada nesse tipo de serviço – deve haver necessariamente um engenheiro ou arquiteto responsável na empresa. Outra alternativa é que a administradora do condomínio ofereça esse serviço, mas cobre à parte do empreendimento.

Uma terceira opção, ainda, é poder contar com algum morador que seja engenheiro ou arquiteto para ajudar o síndico na leitura dos projetos e suas devidas aprovações.

9- Qual a diferença entre Laudo, ART e RRT?

Um laudo é fruto de uma análise de assunto técnico. A ART é uma Anotação de Responsabilidade Técnica, emitida pelo CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia). O RRT é o Registro de  Responsabilidade Técnica, emitido por um profissional vinculado ao CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo).

O laudo não serve para assegurar ao síndico sobre a obra, mas a ART ou a RRT, sim.

10- E quando é o próprio síndico que está fazendo obra dentro de seu apartamento e derrubando paredes e tirando vigas?

Nesse caso, o ideal é que se forme uma comissão de obras aprovada em assembleia, com poder de fiscalização e que a mesma peça para o síndico toda a documentação pertinente à obra.

Caso o síndico não obedeça às regras instituídas em assembleia, o mesmo poderá ser deposto pelos trâmites legais (um quarto dos condôminos convoca assembleia para esse fim, e a maioria simples vota pela destituição), e dessa forma, o mesmo será obrigado a seguir o que pede a norma.

11- Para instalar ar condicionado, rede de proteção ou banheira, precisa de ART?

Para instalação de ar condicionado e banheira, sim, já que muitas vezes essa alteração vai incluir quebra de paredes e pode mexer com a parte estrutural da edificação. A rede de proteção não precisa de ART ou RRT, só deve ser instalada, porém, após a coletividade do condomínio escolher um modelo específico.

12- Para reformas na parte elétrica precisa de ART/ RRT ?

Na grande maioria dos casos de reforma, onde há necessidade de um engenheiro eletricista, sim. Não há necessidade para a mera manutenção com pequenos reparos, situações em que basta um técnico eletricista.

13- Para efetuar reparos hidráulicos, provenientes de infiltrações/tubulações em geral, precisa de ART/RRT ?

Depende. Se for apenas uma intervenção para manutenção e depois disso, tudo voltar ao seu estado normal, não. Mas se houver necessidade de usar ferramental de alto impacto, ou perfurar uma laje, por exemplo, nesse caso a ART ou RRT são recomendados, sim.

14- Fechamento/envidraçamento de sacadas precisa de ART/RRT ?

Precisa de ART à medida que é uma obra relativamente grande e que pode afetar a estrutura da edificação.

15- Substituição do forro de gesso precisa de ART/RRT ?

A princípio, não. Como ali já existia o mesmo material, colocá-lo novamente ali não acarreta em prejuízo para a estrutura. Entretanto, se o novo forro for muito diferente que o original ou mais pesado, precisa de ART/RRT.

16- Reparo nas instalações de gás precisa de ART/RRT ?

Sim, tanto pela intervenção na estrutura, como pelo risco de explosão ou vazamento que envolve a obra.

Fontes consultadas: André Luiz Junqueira, assessor jurídico da Schneider Advocacia, Gabriel Karpat, diretor de condomínios da administradora GK, Alexandre Marques, advogado especializado em condomínios, Zeferino Velloso, engenheiro e diretor da VIP, Vistorias Inspeções Prediais, Alberto dos Santos, engenheiro civil e Secovi-SP.

Site para pesquisas:

http://www.sindiconet.com.br/7174/Informese/Obras-e-Reformas/Norma-ABNT-sobre-obras

http://www.sindiconet.com.br/11563/Informese/Obras-e-Reformas/Tira-teima-Norma-16280-da-ABNT

Arquiteta Marina Alcoba

marinaEntrevista com a arquiteta Marina Alcoba

Decidida, Marina Alcoba sempre soube o que queria. A escolha pela Arquitetura aconteceu no 2º ano do Ensino Médio, ela tinha dúvida apenas pela Engenharia, pois sempre gostou muito de Exatas, mas o amor pela história das artes prevaleceu. Ela se formou na FAU UBC em janeiro de 1981 e a empolgação dos professores a fez permanecer firme na escolha. Marina estagiou durante todo o período em que permaneceu na faculdade em escritórios renomados e, depois de cursos e especializações, hoje trabalha com Arquitetura de Interiores. Em entrevista ao CDA em Revista, a profissional aponta aspectos de seu trabalho e conta como construiu a carreira. Continue lendo Arquiteta Marina Alcoba

Carlos Clery

Entrevista

Arquiteto Carlos Clery

 

Vocação é o que o arquiteto Carlos Clery tem de sobra. Mesmo lutando contra o destino de ser arquiteto, como ele mesmo conta, a profissão correu atrás dele e o alcançou há 35 anos, quando formou-se com a primeira turma de Arquitetura da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). “Trabalhei muito tempo com decoração, com Buffet, como feirante, vendia franga de porta em porta nas casas de Mogi das Cruzes. Fui funcionário de empresas, fiquei sentado atrás de uma mesa por um bom tempo. Sempre tive o sonho de ser médico cirurgião plástico, mas mogianos de influência, como o pai do Isidoro Dori Boucault, acreditavam em mim e queriam me presentear com uma bolsa para a faculdade de Arquitetura”. Continue lendo Carlos Clery

Narciso Martins

Entrevista com o Arquiteto Narciso Martins

martins_sitePodemos considerar o Arquiteto Narciso Martins, um arquiteto com “A” maiúsculo, pois em sua trajetória profissional teve a oportunidade de trabalhar com o arquiteto Oscar Niemeyer e ao longo do tempo trabalhando em grandes construtoras acabou influenciando um grandes número de arquitetos que hoje fazem sucessos.

Arquiteto que traz em seu currículo de residências simples a Shopping Center, Edifícios Comerciais, Usina de Álcool e até Hospital, continua produzindo com muito amor a profissão, pois afinal a criatividade e o conhecimento não se aposentam.

Em seu discurso aos futuros profissionais, Martins sempre apresenta a arquitetura como um elemento especial e essencial para o homem.

Nesta entrevista, Martins fala um pouco de sua trajetória, de seus projetos e sua mensagens para os profissionais.

01. Qual é sua formação e os caminhos que percorreu na profissão de arquiteto?
Meu caminho foi na ordem inversa. Fui aprovado no vestibular do Mackenzie em 1955, porem, o curso na época era em tempo integral, e, como precisava trabalhar não foi possível cursar a Faculdade, forçando-me a trancar o curso.
Profissionalmente comecei como desenhista na Companhia brasileira de Sinalização SA, sendo promovido à projetista e posteriormente a chefe do departamento técnico. Essa Empresa cuidava de sinalização de ferrovias em todo o Brasil.
Paralelamente trabalhava a noite em escritório próprio elaborando projeto arquitetônico para diversas construtoras.
Em 1961 constitui juntamente com Constantin N Cancas a construtora Cancas, Martins. Engenharia e Construções Ltda, após vencer um concurso de projeto para construção de um Hospital Geral com capacidade para 200 leitos – hoje Hospital Municipal de Diadema. Continue lendo Narciso Martins

Emilia Fuke

Emilia FukeArquiteta EMILIA FUKE

Colégio de Arquitetos – Quando descobriu que queria ser arquiteta?

Emilia Fuke – Escolhi esta profissão na adolescência, direcionando o curso para a área de exatas e desenhos técnicos.

CDA – Qual sua formação profissional? Onde estudou?

EM – Graduação em Arquitetura e Urbanismo na UMC e pós-graduação em Perícias e Avaliações em Engenharia na FAAP.

CDA – Quem ou o que te inspirou?

EM – Cresci brincando com argila, trabalhos manuais, tocando instrumentos musicais e origamis. Sempre admirei o trabalho do meu pai, engenheiro mecânico. Utilizava réguas “diferentes”, calculadoras e elaborava desenhos técnicos de peças e engrenagens.

CDA – Como começou na profissão?

EM – Estagiei desde o primeiro ano da faculdade em um grande escritório de arquitetura e engenharia em São Paulo. Desenvolvi vários projetos de edificações. Após formada, fiquei dois anos como responsável pelos projetos, aprovações e assinando como autora dos projetos.

CDA – Os seus trabalhos seguem algum estilo?

EM – Não existe um “estilo” EMÍLIA FUKE. Há uma maneira de pensar, conceitos em evolução. Respeito a topografia, integração com a natureza e paisagem, utilização de todos os espaços com mais de uma função e especificando novos materiais.Emilia Fuke

CDA – Dentro do ramo da arquitetura e urbanismo, qual a sua especialidade?

EM – Desenvolvimento de Projetos de Edificações Residenciais Unifamiliares e Multifamiliares, Esportivos, Religiosos e Corporativos.

CDA – Na sua opinião, o que caracteriza um bom projeto?

EM – Conseguir aliar estética, função, tecnologia e orçamento.

CDA – Como a tecnologia auxilia o seu trabalho?

EM – A tecnologia agiliza todas as etapas do escritório, principalmente na elaboração do projeto.

CDA – É utilizado algum recurso na criação dos projetos? Qual?

EM – Ferramentas 3D para criação e apresentação do projeto.

CDA – Qual o seu último trabalho?

EM – No momento, estou desenvolvendo e finalizando diversos trabalhos, posso destacar a reforma e paisagismo da área de lazer e social de um edifício residencial multifamiliar em São Paulo.

CDA – Qual sua marca registrada, algo que você sempre faz em seus projetos?

EM – Espaços multiusos com grandes vãos e iluminação natural, ponto fundamental do projeto. Ambientes sociais e de lazer integrados com área verde. Grandes abas e lajes em balanço. Baixo custo de obra evitando utilizar muros de arrimo e aterramentos. Reuso da água. Qualidade do espaço com foco no usuário usando a criatividade e novos materiais.

CDA – Qual o seu conselho para os futuros arquitetos?

EM – Assim como os arquitetos, hoje, todas as profissões exigem formação geral com visão tecnológica, ecológica, político e cultural. Acompanhar as tendências do mercado, saber utilizar novas opções de ferramentas de trabalho, atualizar em cursos e pesquisas, não se esquecendo do caráter humanístico inerente à nossa formação.

CDA – Qual sua visão sobre a profissão no Brasil?

EM – A perspectiva profissional é rica e dinâmica. O profissional tem possibilidade de atuar em diversos setores, como na área de design gráfico, design de mobiliário, design de automóveis, arte, engenharia, moda e cenografia.

O mercado de trabalho está em alta, com os integrantes do setor da construção civil otimistas e a valorização dos serviços de projetos de interiores e paisagismo.

Emilia Fuke

CDA – Deixe uma mensagem ou uma frase para os colegas arquitetos.

EM – Deixo a mensagem do filósofo contemporâneo Eduardo Galeano quando trata dos sonhos: “A Utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a Utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”. Enfim, nossa bela profissão, deve ter em conta também a realização de sonhos, proporcionando um constante caminhar…

Arq. EMILIA FUKE

arqfuke@uol.com.br

fone   11 4794-6364

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Mariana Brunelli

Mariana Brunelli

(Arquiteta)

Mariana Brunelli

“Gosto se discute, e muito!”, é assim que a arquiteta Mariana Brunelli define sua paixão pela profissão e a dedicação, em sua vida acadêmica, pela disciplina Projeto Arquitetônico: “Foi quando compreendi que, para um espaço ser concebido, é preciso estudo, conceito, referência e uma seriedade tamanha, que ultrapassa as questões puramente estéticas e vai buscar a funcionalidade como principal ferramenta de trabalho de um arquiteto”.

Há 11 anos na profissão, Mariana conta que se formou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes. E foi na disciplina preferida que encontrou motivação, recebendo o convite do mestre Álvaro Dariza para estagiar em seu escritório (na época, na Riviera de São Lourenço, em sociedade com sua esposa Mariângela Carvalho). Continue lendo Mariana Brunelli

Arquiteto Cláudio Martins

Arquiteto Cláudio Martins

O arquiteto Cláudio Martins vem nos últimos anos deixando sua marca na cidade com a verticalização de seus projetos e obras. Começou com o Edifício Rebecca e depois vieram: La Défense, Liberal Office Tower , Ravenna, Stéphanie, a série Espanha entre outros. Não podemos esquecer do Centro Comercial Mogi Plaza.
Com idéias sempre arrojadas para a cidade nesta entrevista ele fala um pouco sobre o outro lado do profissional com suas atividades dentro da Prefeitura bem como ex-presidente da AEAMC – Associação de Engenheiros e Arquitetos de Mogi.

Na entrevista concedida ao CDA em Revista, Martins conta um pouco de sua trajetória.

CDA em Revista – Quando se formou? Em qual universidade?
Cláudio Martins – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Braz Cubas, em 1973 – 1ª turma.

CDA – Buscou especialização na área?
CM – Fiz extensão universitária na Fundação para a Pesquisa Ambiental da USP.
Arquiteto Cláudio Martins
CDA – Quando decidiu pela Arquitetura?
CM – Desde meus 17 anos comecei a aprender a profissão, estagiando na Construtora Burke e Gemma, que era uma das principais da cidade.

CDA – O senhor estagiou antes de assumir de vez o projeto de sua empresa?
CM – Estagiei com os principais profissionais da época, tais como Miguel Gemma, John Ulic Burke Junior, Cláudio Abrahão, Frederico Rene de Jaegher, Hiroshi Matsutani, Rui Barbosa, com os quais aprendi muito.Também trabalhei como desenhista na Prefeitura de Mogi, de 1960 a 1968.

CDA – Quando nasceu a Marsil? O que de novo a proposta dela trouxe para Mogi das Cruzes?
CM – A CONSTRUTORA MARSIL LTDA. nasceu em 20 de abril de 1976. A proposta inicial era a de projetar e administrar a construção de residências e prédios comerciais para terceiros. Depois, ampliamos as atividades, executando obras públicas e industriais. Mais tarde, pela demanda do mercado, passamos à execução de prédios em condomínio e podemos dizer que fomos pioneiros na Cidade na verticalização das construções. Hoje nos concentramos em empreendimentos próprios, principalmente voltados para a classe média. Dependendo da época, empregamos de 100 a 400 operários.

CDA – Em qual período sua relação com a Prefeitura Municipal se estreitou?
CM – De 1993 a 1996, fui Presidente da Companhia de Desenvolvimento de Mogi das Cruzes (Codemo), empresa municipal, que hoje não existe mais, e que era responsável por todas as obras do município nos governos dos prefeitos Francisco Ribeiro Nogueira e Manoel Bezerra de Mello (Padre Mello).

CDA – Qual o projeto que mais se recorda deste período?
CM – Foram muitos. Posso destacar alguns pela importância que eles representaram para a Cidade: o Ginásio Municipal de esportes Prof. Hugo Ramos; a canalização do rio Negro desde a Rua São João até a rua Braz Cubas, acabando com enchentes que assolavam aquele trecho há mais de 30 anos; a extensão da Via Perimetral desde a rotatória da Mogi Dutra até a Avenida Francisco Ferreira Lopes, em Braz Cubas, atravessando uma área pantanosa e o rio Tietê; as Avenidas Manoel Bezerra Lima Filho e Yoshitero Onishi como uma  nova saída para São Paulo, desde o Supermercado D’Avó até a Avenida Carlos Alberto Lopes (antiga Avenida dos Estudantes); o início das obras da passagem de nível sob a via férrea na Rua Olegário Paiva, projeto inédito no Brasil pelo método de execução não destrutivo e sem interrupção do tráfego de trens.

CDA – E qual o projeto que gostaria de ter implementado mas não conseguiu, seja por falta de recursos ou de tempo?
CM – O Centro Cultural, projeto do arquiteto e hoje secretário de Planejamento, João Francisco Chavedar, que com certeza colocaria nossa Cidade num patamar muito mais elevado na educação e cultura.

CDA – No período como presidente da AEAMC, qual o projeto que articulou e as ideias que colocou em pauta para a Cidade?
CM – Na época, a Associação lutava para se fixar e as dificuldades eram muitas, mas lutamos pela defesa da classe juntamente à municipalidade e ao CREA na solicitação de inspetores, o que abriu, mais tarde, o caminho para a instalação da sede regional do CREA em Mogi.
Arquiteto Cláudio Martins
CDA – Com tantos empreendimentos habitacionais nascendo na Cidade, como o senhor vê o futuro da profissão aqui? As obras pedem mão de obra especializada, o que é a principal reivindicação de construtoras.
CM – O futuro é promissor para a profissão. As obras exigem operários qualificados, pois cada vez mais surgem produtos e técnicas que precisam de mão de obra habilitada. O surgimento de cursos práticos e objetivos se impõem para a evolução que não para.O poder público também tem que acompanhar essa velocidade, liberando as aprovações com mais agilidade e menos burocracia e uma legislação diferenciada para os operários da construção que normalmente atuam num período de curta duração.

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